Abaixo de Zero
Para não perderem seus nutrientes e evitar contaminação,
alimentos congelados requerem cuidados em casa e no supermercado.
A dificuldade dos consumidores em identificar alterações nos alimentos congelados preocupa nutriconistas, sanitaristas e as entidades de defesa do consumidos. “É impossível saber se os alimentos estão bem armazenados, se a temperatura de conservação está correta, se houve descongelamento.
Conheço os cuidados que tenho de tomar na hora de escolher um produto, mas na corrida das compras, dificilmente consigo prestar atenção em todos os detalhes". Diz a professora Marisa Castelano Tsai, 40, enquanto escolhe os produtos.
No freezer ao lado, a funcionária pública Nizete Pires Mota, 51, justifica: "Não compro se a embalagem estiver danificada, acho melhor não arriscar. Mas confesso que não tenho o hábito de prestar atenção na temperatura da geladeira, se está vazando água ou se os produtos estão mal acomodados".
Prazo de validade, condição das embalagens, transporte adequado, aparência dos produtos e estado de conservação dos equipamentos - as principais recomendações elas sabem de cor. Mas, na prática, confessam as dificuldades de checar todos os itens que formam a lista de cuidados com os alimentos congelados. "Minha prioridade é olhar a data de validade. Sei, por exemplo, que se o preço estiver muito baixo do normal, é porque o produto deve estar para vencer", admite Nizete Mota. "Tenho até uma bolsa térmica que comprei para transportar congelados. O problema é que, na maioria das vezes, eu a esqueço em casa", diz a professora Marisa Tsai.
Os especialistas argumentam que os alimentos congelados requerem que os alimentos congelados requerem atenção especial. "É muito mais complicado perceber se um alimento está adequado ou não para o consumo quando ele está fora do seu estado natural de conservação". Se mantidos em temperatura inadequada, frangos, carnes, pescados e embutidos, por exemplo, podem ser infectados por microorganismos e substanciais tóxicas", alerta a química Gabriela Carvalhes, diretora de um laboratório que analisa alimentos com suspeita de contaminação.
"O consumidor deve ficar atento a todo o sistema de manutenção e de armazenamento do alimento nos supermercados. O bom funcionamento dos refrigeradores é fundamental para evitar contaminação", explica o especialista em alimentos Murilo Diversi, técnico do Idec ( Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).
Ele foi um dos responsáveis por um teste recente do Idec com oito marcas de frango congelado. O objetivo era verificar a rotulagem, a qualidade sanitária e a quantidade de água perdida pós-descongelamento.
O teste comprovou que apenas uma das marcas estava adequada à legislação sanitária.
Mas não é só na hora da compra que o consumidor deve cumprir o ritual de cuidados essenciais. Ao retirar o produto da gôndola, cabe ao cliente preservar as condições de temperatura e armazenamento. Tudo para evitar que o produto comece a descongelar antes da hora. "Quando as partículas de água de um alimento são congeladas, suas células se expandem. Depois, quando são descongeladas, voltam ao normal. Se o processo é repetido, corre-se o risco de essas células se romperem e, com isso, o alimento perde nutrientes e tem seu cheiro e consistência alterados", explica a nutricionista Telma Granado e Sá.
Por isso, ela recomenda atenção tanto no transporte dos produtos do supermercado até em casa quando em períodos de queda de energia. Nesses casos, o ideal é manter os alimentos em bolsas térmicas ou pelo menos na geladeira.
Os cuidados com os alimentos congelados não se limitam aos produtos industrializados.
Quem costuma cozinhar e guardar a comida por meses no freezer também precisa estar atento. A nutricionista Telma Sá defende que é preciso derrubar alguns "mitos". "Congelar não faz milagres. Não adianta deixar a sobra do almoço por quatro dias na geladeira e achar que o freezer vai 'salvar' a comida. Também é preciso acabar com a idéia de que alimentos congelados não são saudáveis", diz.
A nutricionista lembra que é até mesmo legumes e frutas podem ser preservados em baixas temperaturas, desde que sejam seguidas algumas recomendações básicas. Ela explica que frutas como morango, amora e uva, por exemplo, podem ser congelados normalmente. O segredo é guardá-las de forma que não formem uma massa compacta.
Para isso, devem ser colocadas em recipiente grande, destampado, até que fiquem totalmente congeladas. Legumes crus também podem ser congelados, desde que passem por um processo de choque térmico - devem ser mergulhados em água fervente por um dois minutos antes de irem para o freezer.
DICAS
- Coloque etiquetas nas embalagens dos alimentos congelados, com o máximo de informações. A idéia é ajudar a organizar o consumo, dando prioridade para os produtos que foram congelados primeiro.
- Procure dividir os alimentos em pequenas porções ao congelá-los. O ideal é que cada embalagem sirva uma ou duas refeições, no máximo.
- Descongele os alimentos colocando-os sob refrigeração ou diretamente no forno de microondas. Evite deixá-los à temperatura ambiente ou na água, pois isso pode permitir a rápida proliferação de microorganismos.
- É difícil saber exatamente por quanto tempo cada alimento pode ficar no freezer. Mas em média, a recomendação é de quatro meses a um ano para produtos industrializados e de até três meses para os demais.
- Alimentos com grande quantidade de água ( como maionese, gelatina, ovos cozidos, creme de leite, iogurte, molho branco e alguns tipos de verduras, quijos e frutas) não devem ser congelados.
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