Agronegócio amplia setor de testes Laboratórios têm alta na procura
por análises de itens para exportação.
A expansão das exportações de produtos de origem animal e vegetal faz crescer um novo negócio no país: os de testes e análises que asseguram a sanidade e a qualidade dos itens vendidos ao exterior.
Para se defenderem de regras sanitárias cada vez mais rígidas em países desenvolvidos, os exportadores têm contratado empresas de análises que atestam que os seus produtos estão livres, por exemplo, de resíduos de antibióticos ou pesticidas.
"Os exames contornam problemas com o protecionismo "disfarçado" em regras de sanidade, prática adotada pelos países desenvolvidos", diz Cláudio Martins, diretor-executivo da Abef ( Associação Brasileira dos Exportadores de Frango).
Além disso, algumas exportadoras buscam com os testes evitar prejuízos, como o de ter sua carga rejeitada nos portos estrangeiros ou até mesmo suspensão das vendas externas de determinado produto por questões sanitárias.
"Os testes são muito importantes para manter os mercados que foram conquistados", disse Jorge Caetano, diretor do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura.
Salto de faturamento
Não existem dados consolidados do setor de testes de sanidade animal e vegetal, mas um termômetro são os números do laboratório Analytical Solutions, o maior do país em análise de resíduos. E, 2004, foram realizadas 42 mil análises. Em 2000, em seu primeiro ano de atividade, haviam sido feitos apenas 500.Trata-se de um crescimento de 8.300%. De 2003 para 2004, o faturamento do laboratório saltou de R$ 16 milhões para R$ 24 milhões - alta de 50 %.
Martins faz, porem, uma ressalva; as exportações brasileiras também cresceram muito no período, impulsionando naturalmente o número de testes. De 2000 a 2004, houve incremento de 75,1% nas vendas externas - US$ 55,1 bilhões para US$ 96,5 bilhões.
Antonio Carlos Gonçalves, coordenador de sanidade da Abecitrus (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos), afirma que está havendo, de fato, maior demanda por análises, especialmente para detectar contaminação por pesticidas, toxinas, alergênicos e modificações genéticas.
Segundo Gabriela Carvalhaes, diretora do Analytical Solutions, os produtos mais analisados são carnes suínas e de frango e outras aves, leite, suco de laranja e derivados de soja.
Custo
Na visão de Gonçalves, os exames prévios, quando utilizam as mesmas regras do país comprador (o que é praxe), diminuem o risco de rejeição, mas não o eliminam. É que as normas mudam muito rapidamente e nem sempre há cobertura completa dos testes.
Para Martins, da Abef, os países desenvolvidos sofisticam cada vez mais suas regras com o objetivo de dificultar o acesso de produtos brasileiros, que ganham mercado nas exportações de agropecuários."Os exames feitos no país têm de acompanhar esse avanço".
Os testes, porém, fazem o custo final do produto exportado subir. A análise de uma amostra, de acordo com Gonçalves, chega a custar US$1.000."É mais do que o preço de uma tonelada de suco de laranja concentrado" compara.
Mas o cuidado pode evitar, por exemplo, que se repita o que aconteceu 1998, quando foram suspensos durante toda uma safra os embarques de farelo de poupa de cítrica (subproduto da laranja utilizado como ração animal). O país deixou de vender 1 milhão de toneladas do produto naquele ano.
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